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Acadêmicos da AML refletem como a arte e a literatura contribuem para a inclusão de pessoas com deficiência

8 de out.
3 min de leitura

Para além do Mês Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, escritores defendem atitudes inclusivas, combate ao capacitismo e ampliação das oportunidades de participação na produção cultural Setembro é dedicado à luta da pessoa com deficiência.


Para a Academia Macaense de Letras (AML), no entanto, essa pauta não se restringe a um único mês do calendário e o debate deve permanecer presente durante todo o ano. Nossos acadêmicos utilizam a literatura para promover reflexões, provocar mudanças de atitude e contribuir para a construção de uma sociedade mais inclusiva.


A escritora Thaís Pessanha é uma das expoentes da AML que aborda o tema em sua produção literária. Em seu livro mais recente, Dias de Sol, ela descreve dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência na realização de tarefas corriqueiras. As crônicas são baseadas em experiências da própria autora, que vive com osteogênese imperfeita, uma condição genética rara conhecida popularmente como “ossos de vidro”. A obra também busca provocar reflexões sobre acessibilidade e inclusão.


“Através da literatura, trabalho temáticas como acessibilidade e inclusão da pessoa com deficiência. Mas muito para provocar a outra pessoa, para ela entender que a acessibilidade é feita por barras, por rampas, por cobranças aos governos, mas também por cada um de nós. Essa é chamada acessibilidade atitudinal. A inclusão é feita no dia a dia, no cotidiano. Na fila do banco, do supermercado, na escola, da farmácia, no refeitório do trabalho”, explica a autora.

A chamada acessibilidade atitudinal está relacionada às atitudes e aos comportamentos que podem facilitar ou dificultar a participação das pessoas com deficiência na sociedade. Nesse sentido, a inclusão também passa pela forma como cada indivíduo se relaciona com o outro e reconhece as diferenças.


A acadêmica Lourdes Acosta, que passou a conviver com a deficiência nos últimos anos, também chama atenção para a responsabilidade coletiva no enfrentamento do capacitismo, termo utilizado para designar preconceitos e discriminações contra pessoas com deficiência.


“Nós, cidadãos, não podemos nos excluir de combater ativamente o capacitismo. Temos de exigir igualdade de oportunidades no cotidiano. Isso para garantir que pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida possam usar espaços e transportes, além de usufruir de informações e serviços com segurança e autonomia”, pontua a jornalista.

Pessoas com deficiência também produzem cultura


A discussão sobre inclusão também alcança o campo da cultura. Mais do que garantir que pessoas com deficiência tenham acesso a livros, espetáculos, exposições e outras manifestações artísticas, é necessário assegurar que elas também tenham oportunidades de criar e ocupar espaços de produção cultural. Essa é uma das questões destacadas pela acadêmica Dilma Negreiros.


“O direito à cultura, à arte e à literatura é para todas as pessoas. O que a sociedade precisa entender e respeitar é que as pessoas com deficiência são produtoras também de arte e cultura e elas não só usufruem. Todos os produtos precisam ser acessíveis, mas todas as oportunidades de produção de arte e de cultura devem estar abertas para todas as pessoas com deficiência, toda a diversidade que existe na sociedade”, enfatiza Dilma.

Ampliar as oportunidades de criação contribui também para uma produção cultural mais diversa. Quando diferentes experiências encontram espaço para se expressar, a arte ganha novas perspectivas, dialoga com públicos variados e incorpora histórias e formas de perceber o mundo que muitas vezes permanecem à margem.


A literatura e as demais manifestações artísticas podem, ainda, nos aproximar de experiências que não são nossas. Embora a arte não permita que alguém viva exatamente a realidade do outro, ela pode ampliar a capacidade de compreender diferentes formas de estar no mundo.


É nesse espaço de aproximação que o acadêmico Carlos Almeida, professor e psicanalista clínico, situa sua produção literária.


“Para mim, a inclusão começa quando deixamos de olhar para o outro apenas a partir daquilo que conseguimos compreender e passamos a ter curiosidade sobre aquilo que ele vive. É nesse lugar que procuro colocar minha literatura”, reflete o psicanalista.

As reflexões dos quatro acadêmicos mostram que a inclusão é construída em diferentes dimensões: no acesso aos espaços públicos e aos serviços, nas relações cotidianas, nas oportunidades de trabalho e criação e também na capacidade de reconhecer diferentes formas de existir.



Como instituição dedicada à literatura e à cultura, a Academia Macaense de Letras tem o compromisso com o diálogo, a diversidade e a valorização de diferentes experiências e vozes. Para além de uma campanha ou de uma data no calendário, a inclusão é um exercício permanente, que exige revisão de atitudes e mudança coletiva.


Nesse processo, a literatura é uma importante aliada e ferramenta de transformação.


Da Assessoria da AML: Raíla Maciel

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