Contadores de história são chancelados pela Academia Macaense de Letras
Trinta por cento dos 40 imortais reconhece que essa arte, uma das mais antigas da humanidade é essencial na transmissão de cultura, valores e saberes
A Academia Macaense de Letras (AML) reconhece com entusiasmo os contadores de histórias que integram seu quadro de acadêmicos. O reconhecimento oficial valida essa forma de compartilhar conhecimentos, utilizada para dar sentido ao mundo, ao cotidiano e às suas próprias vidas.
Mesmo que o Dia do Contador de Histórias seja celebrado em 20 de março, para os acadêmicos de letras de Macaé, todo dia é dia de contar histórias. Trinta por cento dos 40 imortais reconhece que essa arte, uma das mais antigas da humanidade é essencial na transmissão de cultura, valores e saberes. É uma prática que atravessa gerações, sendo fundamental na formação de leitores, especialmente nas crianças, ao criar um vínculo profundo com a literatura desde a primeira infância.
A contação de histórias é baseada na oralidade, conectando o narrador e o público por meio da palavra, do gesto e do olhar.
Nesse sentido, 13 contadores de histórias exercem essa atividade em eventos culturais e literários, nas escolas públicas e particulares, nos bairros da cidade e até nos encontros e rodas de conversas, simpósios, congressos e reuniões empresariais.
Para a acadêmica, professora e escritora Mariúcha Corrêa, primeira mulher a ocupar a presidência da AML, contar histórias é uma experiência de troca, afeto e encantamento. “Diante das crianças, sinto a responsabilidade e a alegria de contribuir para a formação de leitores e para o desenvolvimento da imaginação. Cada público tem sua particularidade, e o desafio está justamente em encontrar a linguagem capaz de despertar a atenção, a emoção e a participação de cada ouvinte. Eu gosto muito de utilizar a música como um recurso para atrair a atenção dos ouvintes. É uma estratégia que não falha”, ressalta.
Ela conta que sua relação com as histórias começou na infância, aos oito anos, quando foi apresentada à vida e à obra de Cecília Meireles. Esse encontro despertou seu amor pela leitura e pela poesia. “Além disso, meus avós Ilza e Sebastião (in memória) foram grandes contadores de histórias. Eles sempre estavam cantando, dançando ou fazendo relatos. Viver com eles foi enriquecedor e uma grande inspiração para mim. Desde então, a palavra passou a ocupar um lugar especial na minha vida”, pontua.
Por sua vez, a acadêmica macaense Gi Germano (Tia Gi), que atua como psicopedagoga, biblioterapeuta, escritora e contadora de histórias o aprendizado da arte foi ouvindo sua mãe, Dona Maurina Santos, narrar suas histórias reais de infância e as fictícias, que envolviam o folclore e que ela tinha ouvido da sua avó Dona Raimunda. Ela vê a contação de histórias como um desafio.
- Eu sinto um "rebuliço" na barriga, quando conto histórias, as borboletas começam a bater as asas para acalmar as batidas do coração... É um desafio delicioso que chega até as crianças e adultos -, conta e complementa: “Eu comecei a contar histórias na época da formação de professores em Belém do Pará. Quando vim morar em Macaé, frequentei a Paróquia São João Barista, como catequista e contava histórias nos meus encontros catequéticos, certo dia o pároco José Luiz, fez um convite para que eu contasse as histórias nas missas com crianças aos sábados. Atualmente, completo 25 anos sendo voluntária com o meu projeto “Catecontando Histórias”, e de forma profissional conto histórias em meus atendimentos de psicopedagogia e biblioterapia”.
Outra escritora da AML que se destaca na prática da formação de leitores é a Ana Paula Mattos, professora de educação infantil, formada há 28 anos como contadora de história pelo projeto Leia Brasil. “A partir do convite para trabalhar na Casa dos Contadores de Histórias aprimorei técnicas para melhor atender as turmas. Tive o privilégio de conhecer o Simpósio Internacional de Contadores de Histórias e em 2023, iniciei um trabalho efetivo através dos meus livros infantis nas escolas, onde levo a contação das minhas histórias e exponho os livros”, acentua.
Espalhando histórias e criando memórias, a escritora, contadora de histórias, mediadora de leitura, biblioterapeuta e agente cultural, Kátia Teixeira, diz que se sente como uma ponte que aproxima leitores e ouvintes dos autores, das histórias e de si mesmos. “Diante de cada plateia, especialmente das crianças, vivencio a alegria de despertar a imaginação, compartilhar saberes e criar laços afetivos. Cada encontro é único e desafiador, pois contar histórias é também saber ouvir, acolher e tocar corações”, frisa. Ela explica que conta histórias em escolas, praças, ruas, saraus, instituições, hospitais e espaços de convivência, sempre levando a literatura a públicos diversos. “Por meio do projeto Uma Pausa, um Respiro Literário, busco fazer dos livros e das histórias encontros de afeto, acolhimento e partilha”.

Importância de contar histórias todos os dias
Contar histórias fortalece vínculos e compartilha relatos, sejam eles de livros, de vivências pessoais ou de imaginação; criam laços de afeto e confiança entre familiares e amigos; desenvolvem a mente, principalmente na infância, quando estimula a imaginação, a escuta, a linguagem oral e a capacidade de dar lógica aos acontecimentos; transforma o cotidiano com narrativas que ajudam a aliviar o tédio, ressignifica desafios e enxerga novas perspectivas sobre o mundo.
Em recentes declarações, três contadoras de histórias da AML compartilharam os significados que estão por trás desse mundo de tradição oral:
“Diante de uma plateia procuro passar minha verdade, contando histórias que façam sentido com aprendizado e significado real. Costumo falar de vivências, de relações inclusivas e de responsabilidade com o meio ambiente. Essas são as minhas temáticas”. (Zaira Gonçalves, professora, escritora, especialista em educação inclusiva, neuropsicopedagoga e mestra em Ambiente, Sociedade e Desenvolvimento pela UFRJ).
“Eu me sinto muito à vontade por fazer esse tipo de trabalho há anos no ambiente escolar e recentemente em eventos abertos ao público, que é um desafio por não saber ao certo a faixa etária que vamos encontrar, mas eu procuro observar a plateia antes de contar a história e adaptar a minha apresentação. Atualmente conto histórias no Centro Cultural Sobradinho, em Quissamã, em escolas municipais e em eventos culturais e feiras literárias, com o projeto Deixa Eu Contar, contando histórias de outros escritores e também autorais, como As aventuras de Moema na floresta e o livro Mimi, a gata mimada”. (Andréa Pessanha, de Quissamã, escritora, formada em Letras e Jornalismo, com especializações em Literatura Brasileira, Cultura Afro-Brasileira e Indígena, e Jornalismo Cultural).
“Contar histórias para mim não é um desafio, mas é sempre uma experiência única e especial. Posso contar a mesma história 10 vezes. A cada apresentação é uma nova emoção, uma nova experiência. Um detalhe, uma intervenção da plateia, um riso ou um sorriso que nos leva a um novo gesto, ou até uma nova interpretação da mesma história, que quando contada tem o poder de envolver e despertar tantas emoções diferentes, como um ‘pó de pirlimpimpim’ que nos faz viajar”. (Nathália Andraus, professora e mestra em cognição e linguagem, escritora e detentora da cadeira 07 da Academia Macaense de Letras).
O escritor Marcelo Araújo, secretário administrativo da Instituição, confirma que um terço da AML é contador de história. “Além de Mariúcha Correa, Gi Germano, Ana Paula Matos, Kátia Teixeira, Zaira Gonçalves, Andréa Pessanha e Nathália Andraus, temos ainda, Alessandra Bastos (escritora e palestrante), Conceição de Maria (poeta, atriz e escritora), Flávia Vasconcelos (jornalista e escritora), Ed Andrade (professor, escritor, poeta e pesquisador) Gabriela Oliveira e Adalberto Junior (professor, escritor e contador de histórias)”, arrematou o acadêmico de letras Marcelo.
Lourdes Acosta (DRT/MTE 911 MA) - Assessoria de Comunicação da AML





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