Em Versos por Tuani: Academia Macaense de Letras Transforma Luto em Voz e Consciência no Agosto Lilás
O mês de agosto nasce no Brasil pintado de lilás para lembrar a urgência do enfrentamento à violência doméstica e celebrar os avanços dos direitos das mulheres. No entanto, a dor de um crime brutal interrompeu a trajetória de Tuani Maia Nascimento, de 33 anos, ferindo o coração de Macaé. Diante da perda e da indignação, os acadêmicos da Academia Macaense de Letras (AML) uniram suas vozes e suas penas em um manifesto lírico e social: o especial "Em Versos por Tuani".

A iniciativa converte a dor em poesia, afirmando que a literatura não pode se calar diante do machismo, da posse e do feminicídio. O projeto reúne reflexões e poemas assinados por membros da Academia e convidados, compondo um documento histórico de resistência, memória e solidariedade à família e a todas as mulheres.
A Força das Palavras Contra o Silêncio
Cada poema publicado expressa o repúdio à omissão e desmonta a falsa ideia de que o controle e a agressão possam ser disfarçados de afeto:
Tuani Maia (Kátia Teixeira): Conclama a transformação da dor em mobilização coletiva:
"A memória de Tuani Maia nos convoca a transformar luto em luta. Nem mais uma. Basta de feminicídio. A vida das mulheres é inegociável."
Brado (Gil Lourenço): Denuncia o narcisismo e a posse disfarçada de sentimento:
"O beijo é cruel / Veneno disfarçado / É sentença / Mais uma vítima / (...) Mas ainda há a voz / De todas que aqui estão."
O Direito de Dizer Não (Héverton Ribeiro Quintes): Reforça que o término é uma escolha inviolável:
"Escolheu um novo caminho, uma nova direção; / ninguém pode transformar um 'não' em condenação."
Silenciada (Conceição de Maria): Alerta para a urgência da ruptura do ciclo violento:
"Nada justifica ceifar vidas no descortinar de um relacionamento."
Violência de Gênero Tem Que Parar (Lourdes Acosta): Aponta a raiz estrutural do problema e traz canais de apoio e denúncia:
"Lilás é a campanha nacional de conscientização e enfrentamento à violência doméstica... O feminicídio é causado, principalmente, pela desigualdade de gênero e pelo machismo estrutural."
Bom Dia! (Rildo Santos Loureiro): Analisa a dor psíquica e a necessária atitude de superação e respeito:
"Tuani, que você siga a sua jornada no seu sagrado, tome forma de alado."
O Nome Dela (Edwilson da Silva Andrade): Questiona a omissão cotidiana e a cumplicidade social:
"E eu, homem, escrevo não porque conheça o tamanho dessa dor. Escrevo porque cada notícia denuncia o silêncio que aceitamos."
Feminina Luani Está Viva (Sandra O. Wyatt): Clama por justiça e reverencia a essência da mulher:
"A vida está calada, não! Ninguém ficará impune..."
Agosto Lilás (Mariúcha Corrêa): Desperta para a urgência de agir além das datas simbólicas: "Falar da violência, 'meter a colher'... Não! É audácia, é consciência! É assim que se faz!"
Justiça Ainda Que Tardia (Marcia Mathias Netto Fleury): Expressa o luto profundo e a busca por reparação:
"O corpo frio / O choro de mãe. / Silêncio e dor / Justiça, por amor!"
Grito (Nathália Andraus): Dá voz à dor calada no peito de tantas mulheres:
"Quero escancarar a minha dor... Grito, para que escutem meu silêncio."
Por Que o Assassinato? (Alexandre Bordalo): Confronta a covardia e o ódio:
"Ela tinha um caminho de luz a percorrer... Agosto Lilás: Não ao feminicídio. Sem dor, sem morte. Com amor e saúde mental."
A Flor Que Rompe o Silêncio (Gi Germano): Exalta a libertação e a solidariedade feminina:
"A voz rompe o muro antes que seja tarde / A coragem rasga a sombra que some."
Agosto Lilás Não Pode Chorar Sozinho (Andréa Pessanha): Reafirma o pacto pela vida:
"Que a voz de Tuani floresça em coragem. Que a nossa voz diga, cada vez mais forte: Nem mais uma."
Quando o Amor Se Transforma em Dor (Alessandra Linhares Bastos): Desmistifica o amor possessivo:
"Onde existe morte, o amor já não habita. Porque amar é proteger, é cuidar, é permitir que o outro viva."
A Ajuda de Papel (Cleber de Moraes): Denuncia a frieza burocrática e convoca à ação:
"Gritou por socorro, pediu ajuda às autoridades, mas a resposta foi uma proteção de papel... Se testemunharem a injustiça, não hesitem. Não se calem. Denunciem!"
Ponto Final (Gabriela Oliveira): Sintetiza o direito fundamental à autonomia:
"Não foi o destino que interrompeu a história. Foi a violência... E que toda mulher tenha o direito de escrever a própria história."
Agosto Não Pode Ser Silêncio (Carlos Almeida): Conclama a responsabilidade cívica:
"Hoje pronunciamos Tuani Maia Nascimento... Convocamos a justiça. Convocamos a consciência. Convocamos a responsabilidade coletiva."
Violência Contra a Mulher (Maria Lisboa): Questiona as origens e exige o direito de viver:
"Nosso objetivo são mulheres vivas, para fazerem suas escolhas e terem seus direitos assegurados."
Acesse e Leia o Acervo Completo em PDF
Disponibilizamos a íntegra da publicação "Tuani - Poesias da AML" em formato digital para leitura, download e compartilhamento. Acompanhe os versos e junte-se a esta causa:
Clique abaixo para abrir ou baixar o PDF completo "Tuani - Poesias da AML"
Canais de Apoio, Atendimento e Denúncia em Macaé
Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda ou está em situação de risco, acione os canais de atendimento gratuito e sigiloso:
Central Nacional de Atendimento à Mulher: Ligue 180 (Ligação gratuita e anônima — 24h)
Polícia Militar: Ligue 190 (Emergências e flagrantes)
Patrulha Maria da Penha (Guarda Municipal de Macaé): (22) 2796-1328 | WhatsApp 24h: (22) 99104-6093
Canal Fala Mulher (Secretaria de Políticas para as Mulheres): (22) 99286-2944
CEAM Pérola Bichara Benjamim: Rua Dr. Luiz Bellegard, 139 – Imbetiba | E-mail: ceam@macae.rj.gov.br
123ª Delegacia Policial de Macaé (Polícia Civil): (22) 2796-1559
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