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Quem governou Macaé?

19 de ago.
15 min de leitura

Dos primeiros administradores da Vila ao atual prefeito, mais de dois séculos de poder, transformações e memória.


A história de Macaé não começa com seus prefeitos.


Quando o território conquistou autonomia político-administrativa, em 29 de julho de 1813, e tornou-se a Villa de São João de Macahé, o modelo de administração municipal era muito diferente daquele que conhecemos hoje.


A Câmara Municipal foi instalada em 22 de janeiro de 1814. Durante quase um século, os vereadores acumulavam atribuições legislativas e administrativas, cabendo ao presidente da Câmara uma parcela das funções que hoje associamos ao prefeito. Macaé somente passou a possuir uma Prefeitura separada do Legislativo no início do século XX.


Essa distinção é essencial para compreender a história política da cidade.


Não existiram prefeitos de Macaé durante todo o século XIX.


Existiram administradores, presidentes da Câmara, juízes, vereadores e outras autoridades que conduziram a antiga Vila e, posteriormente, a cidade.


A história dos prefeitos começa depois.

E começa com uma disputa.


Antes da Prefeitura: Macaé administrada pela Câmara


A autonomia conquistada em 1813 permitiu que Macaé passasse a cuidar diretamente de questões políticas, econômicas e judiciais que antes dependiam de outras localidades.


Em 1846, a antiga Vila de São João de Macahé foi elevada oficialmente à categoria de cidade.


Até a primeira década do século XX, porém, a Câmara continuou acumulando funções legislativas e executivas. O presidente da Casa participava diretamente da administração municipal.


Por essa razão, qualquer tentativa de produzir uma relação dos governantes de Macaé desde 1813 precisa manter duas histórias paralelas:


1813 ao início do século XX: administração vinculada à Câmara Municipal.

Século XX em diante: Prefeitura Municipal de Macaé.


Essa separação evita um erro muito comum: chamar de “prefeitos” pessoas que viveram em um período no qual esse cargo simplesmente não existia no município.


Quem governou Macaé? Dos primeiros administradores da Vila ao atual prefeito, mais de dois séculos de poder, transformações e memória.

1910 ou 1913? Quando surgiu o primeiro prefeito?


Existe uma curiosidade histórica importante.


Em 15 de fevereiro de 1910, o presidente do Estado do Rio de Janeiro, Alfredo Augusto Guimarães Backer, criou por decreto a Prefeitura Municipal de Macaé e indicou o Dr. Silva Marques para assumir o cargo.


A nomeação enfrentou oposição da Câmara e da população, e Silva Marques acabou impedido de tomar posse.


Somente em 2 de maio de 1913, outro decreto recriou definitivamente a Prefeitura. Em 9 de maio de 1913, tomou posse João Francisco Moreira Netto, reconhecido pela historiografia municipal como o primeiro prefeito efetivo de Macaé. A própria Prefeitura registra que ele era engenheiro, militar e afrodescendente.


Quando a Secretaria de Acervo e Patrimônio de Macaé iniciou, em 2006, a montagem da Galeria dos Prefeitos, adotou justamente 1913 como ponto inicial da pesquisa. O trabalho utilizou como uma de suas bases a publicação Memórias dos Administradores Macaenses, produzida em 1977.

Assim começa a nossa viagem.


João Francisco Moreira Netto

1913 a 1915


Origem e trajetória: engenheiro e militar. Sua naturalidade ainda merece aprofundamento documental.

João Francisco Moreira Netto ocupa um lugar singular: foi o primeiro prefeito efetivo de Macaé.


Sua administração coincidiu com as comemorações do primeiro centenário da autonomia macaense. Um dos símbolos daquele momento foi a implantação do obelisco comemorativo no antigo Parque Oliveira Botelho, atual Praça Veríssimo de Mello.


Em 1914, Macaé também recebeu o sistema de abastecimento de água proveniente do manancial da Atalaia.


O que define sua passagem: a consolidação institucional da Prefeitura e uma fase inicial de modernização urbana.

José de Oliveira Lobo Vianna Júnior

1915 a 1923


Origem: ainda em levantamento.


Governou Macaé por um período relativamente longo para aqueles primeiros anos do Executivo municipal.


Seu mandato atravessou uma fase de crescimento da vida comercial, associativa e urbana da cidade.


Em 1916 foi fundada a Associação do Comércio, Indústria e Lavoura de Macaé, que posteriormente se transformaria na Associação Comercial e Industrial de Macaé. No ano seguinte, a cidade já contava com expansão do fornecimento de energia elétrica. Esses acontecimentos pertencem ao período de sua administração, embora seja necessário cuidado para não atribuí-los pessoalmente ao prefeito sem documentação específica.


O que define o período: consolidação econômica e urbana da Macaé do início do século XX.


Jayme Afonso

1923


Origem: ainda não localizada.


Teve uma passagem muito curta pela Prefeitura.


Poucos registros digitais permitem hoje determinar com segurança quais atos ou obras definiram sua administração.


A dificuldade não é recente. Em 2006, quando pesquisadores municipais procuravam fotografias para a Galeria dos Prefeitos, Jayme Afonso estava justamente entre os antigos administradores cuja imagem ainda não havia sido localizada.


Sua presença neste acervo é importante também por isso: há histórias municipais que ainda precisam ser reencontradas.


Jayme Memória

1923 a 1924


Origem: em pesquisa.


Outra administração sobre a qual as fontes digitais oferecem poucos detalhes.

Jayme Memória também estava entre os prefeitos cuja fotografia era procurada pelos pesquisadores do patrimônio macaense em 2006.


O que define sua presença neste levantamento: um capítulo ainda incompleto da história administrativa de Macaé.

Sizenando Fernandes de Souza

1924 a 1927 e 1929 a 1930


Origem: ligado historicamente a Carapebus, território então pertencente a Macaé.

Sizenando é um dos primeiros prefeitos para quem encontramos realizações urbanas claramente associadas à administração.


A cronologia oficial de Macaé registra que, durante seu governo, surgiram ruas pavimentadas, redes de esgoto e novas estradas vicinais.


Seu período ajuda a revelar uma Macaé que começava a enfrentar os desafios de uma cidade em expansão.


O que define suas administrações: pavimentação, saneamento e integração territorial.


Francisco de Miranda Sobrinho

1927 a 1929


Origem: ainda não determinada.


Seu mandato pertence à mesma fase de modernização da infraestrutura macaense.

A documentação disponível ainda precisa separar com maior precisão aquilo que foi iniciado no governo anterior do que foi concluído durante sua gestão.


O que permanece a investigar: obras, atos administrativos e trajetória pessoal.


Bento Costa Júnior

1930


Origem: em pesquisa.


Seu curto período no Executivo coincide com um momento de ruptura na política brasileira.

O ano de 1930 encerrou a chamada República Velha e marcou a chegada de Getúlio Vargas ao poder nacional.


Em Macaé, assim como em muitos municípios brasileiros, as mudanças nacionais se refletiriam diretamente na forma de escolha e permanência dos administradores locais.


Álvaro Rodrigues da Silva

1930 a 1932


Origem: em pesquisa.


Governou durante os primeiros anos da Era Vargas.

Seu mandato integra um período em que as estruturas políticas municipais estavam sendo reorganizadas sob forte influência dos governos estadual e federal.


O que ainda falta recuperar: documentação administrativa que revele as principais ações de sua gestão.


Floriano Castilho Saddock de Sá

1932 a 1935


Origem: ainda em pesquisa.


É outro personagem cuja memória visual quase desapareceu.

Décadas depois de seu governo, a própria Prefeitura ainda procurava fotografias suas para completar a Galeria dos Prefeitos.


Sua biografia permanece como uma das lacunas interessantes da história política macaense.


Durval Coutinho Lobo

1935


Administração de curta duração.


Assim como Floriano Saddock de Sá, Durval Coutinho Lobo aparece entre os nomes cuja documentação iconográfica era considerada rara pela equipe de patrimônio municipal.


Ivair Nogueira Itagiba

1935 a 1936 e 1936 a 1937


Ivair ocupou a Prefeitura em dois momentos muito próximos.


A alternância de administradores durante a década de 1930 reflete uma característica daquele período: a grande instabilidade política nacional e estadual repercutia diretamente sobre os municípios.


Sua atuação ainda merece pesquisa específica em atas, jornais e documentos administrativos.


Raul Garnier da Silva

1936


Outro governo breve.


Raul Garnier também figurou, décadas depois, entre os prefeitos cuja fotografia ainda era procurada pelo patrimônio histórico de Macaé.


Juvenal Barreto Júnior

1937


Governou por um curto período no ano em que o Brasil entraria no Estado Novo.


Sua administração antecede imediatamente uma das gestões mais longas da primeira metade do século XX macaense.


Télio Barreto

1937 a 1944


A administração de Télio Barreto atravessou praticamente todo o Estado Novo e grande parte da Segunda Guerra Mundial.


Para a memória cultural macaense, seu nome está associado especialmente à Biblioteca Pública Municipal, inaugurada em 19 de abril de 1941 e posteriormente denominada Biblioteca Pública Municipal Dr. Télio Barreto.


Sua gestão também coincide com a abertura de importantes eixos rodoviários que modificaram as ligações regionais de Macaé.


O que define sua administração: um marco de grande valor para a cultura e a leitura pública.

Para uma Academia de Letras, sua presença possui uma relevância especial.


Ferry Jaccoud D'Azeredo

1944


Administração breve no final do Estado Novo.


Sua trajetória política e suas realizações permanecem pouco conhecidas nas fontes digitais disponíveis.


Oyama Muniz

1944 a 1945


Governou Macaé nos meses finais da Segunda Guerra Mundial e durante o encerramento do Estado Novo.


Esse contexto nacional ajuda a compreender a sucessão rápida de administradores observada no município.


Álvaro Teixeira da Assunção

1945 a 1946 e 1946 a 1947


Exerceu a Prefeitura em dois períodos.


Sua administração ocorreu na transição entre o fim do governo Vargas e a redemocratização nacional.

A própria Prefeitura incluía seu nome entre aqueles cuja fotografia histórica ainda era procurada em 2006.


Elias Agostinho

1946 e 1951 a 1955


Origem: Carapebus, quando aquele território ainda integrava Macaé.


Elias retornou ao Executivo anos depois de sua primeira passagem.


Seu segundo governo atravessou mudanças territoriais significativas. Em 1953, Conceição de Macabu conquistou sua emancipação, deixando de integrar Macaé.


A pesquisa sobre projetos específicos de Elias Agostinho ainda merece aprofundamento.


Jorge Costa

1946


Passagem curta pela Prefeitura.


Sua trajetória permanece entre as menos conhecidas da sequência de administradores macaenses.


Ronald de Souza

1947


Outro governo de curta duração.


Seu nome também figurava entre aqueles cuja imagem os pesquisadores municipais tiveram dificuldade de localizar.


João Alves Pedro Sobrinho

1947


Origem: Carapebus.


A pesquisa realizada pela Prefeitura na década de 2000 conseguiu chegar posteriormente à família de João Alves Pedro Sobrinho, demonstrando como a colaboração de descendentes pode recuperar partes da memória pública que os arquivos oficiais já não conservam plenamente.


Milne Evaristo da Silva Ribeiro

1947 a 1951


Seu governo pertence à fase de reorganização institucional do pós-guerra.

Entre os marcos municipais associados ao período está a criação da Guarda Municipal de Macaé, instituída em dezembro de 1947.



O que define o período: fortalecimento das estruturas administrativas municipais.

Antônio Curvello Benjamin

1955 a 1959, 1963 a 1966 e 1971 a 1973


Antônio Curvello Benjamin aparece três vezes na história do Executivo macaense.

Poucos prefeitos governaram a cidade em momentos tão distintos.


Sua trajetória atravessa a democracia dos anos 1950, a crise política nacional do início dos anos 1960 e os anos do regime militar.


Isso o transforma em personagem especialmente importante para compreender a continuidade e as mudanças das elites políticas locais.


O que define sua trajetória: longevidade e presença em diferentes ciclos políticos de Macaé.


Eduardo Serrano

1959 a 1960


A administração de Eduardo Serrano tornou-se um dos episódios politicamente mais interessantes da história macaense do século XX.


Sua eleição ocorreu em ambiente de forte disputa política, e sua passagem pela Prefeitura terminou prematuramente.


Décadas mais tarde, antigos moradores e personagens da política macaense ainda recordariam aquela eleição como uma disputa excepcional.


O que define sua administração: conflito político, polarização local e um governo interrompido.


Antônio Otto de Souza

1960


Assumiu a administração municipal no contexto da crise política que sucedeu ao afastamento de Eduardo Serrano.


Sua passagem foi curta.


O aprofundamento dessa sucessão exige pesquisa nos registros da Câmara e na imprensa da época.


Alcides Francisco Ramos

1960 a 1961, 1973 a 1977 e 1983 a 1988


Nascido em 22 de março de 1920, Alcides Ramos tornou-se conhecido popularmente como Bicho Velho.


Foi vereador antes de assumir a Prefeitura pela primeira vez, durante o afastamento de Eduardo Serrano. Posteriormente, foi eleito prefeito em 1972 e novamente em 1982.


Em seu terceiro período administrativo surgiu um projeto que marcaria a paisagem institucional de Macaé: a nova sede da Prefeitura, projetada por Oscar Niemeyer.


O prédio demoraria anos para ser efetivamente concluído, mas sua origem está ligada ao governo Alcides Ramos. A pesquisa municipal de 2006 também o identifica como responsável pelo projeto da sede.


O que define sua trajetória: três passagens pelo Executivo e a concepção da nova sede administrativa.


Gerson Maciel Miranda

1961 a 1962 e 1962 a 1963


Ocupou o cargo em dois períodos consecutivos, separados por breve mudança no comando da Prefeitura.


Sua trajetória pertence ao cenário político turbulento que antecedeu o golpe militar de 1964.

Os atos específicos de suas administrações ainda merecem levantamento documental.


Iltamir Honório Abreu

1962


Administração muito breve.


Sua presença ajuda a demonstrar a sucessão rápida de governos vivida por Macaé no início da década de 1960.


Aristeu Ferreira da Silva

1966 a 1967


Origem: Carapebus.


Governou Macaé nos primeiros anos posteriores ao golpe militar de 1964.

Seu período pertence a uma fase em que o relacionamento entre política municipal, governo estadual e regime federal merece ser estudado com maior profundidade.


Cláudio Moacyr de Azevedo

1967 a 1970


Sua administração ocupa um ponto de transição decisivo.


Macaé ainda não era a cidade do petróleo que o Brasil conheceria depois, mas os acontecimentos que transformariam definitivamente sua economia começavam a se aproximar.


Na década seguinte, a descoberta do petróleo na Bacia de Campos e a instalação da estrutura da Petrobras alterariam profundamente o município. A Prefeitura registra a instalação da empresa em Macaé em 1978.


O que define o período: a fronteira entre a antiga estrutura econômica macaense e o ciclo que antecedeu a revolução petrolífera.


Romeu Pereira

1970 a 1971


Governou no início da década em que Macaé começaria a sofrer sua maior transformação econômica desde o século XIX.


Sua administração específica ainda necessita de maior documentação.


Carlos Emir Mussi

1977 a 1982 e 1993 a 1996


Profissão: médico cardiologista.


Carlos Emir governou Macaé em dois momentos separados por mais de uma década.

Seu primeiro período coincidiu diretamente com a instalação da estrutura petrolífera que transformaria o município.


Foi durante seu mandato, em 1977, que surgiu a publicação Memórias dos Administradores Macaenses, posteriormente utilizada pela própria Prefeitura para reconstruir a Galeria dos Prefeitos.

Sua trajetória também ficou associada à saúde municipal e à implantação do primeiro CTI do Hospital São João Batista.


No segundo mandato, Macaé já vivia uma realidade completamente diferente, com forte expansão econômica e urbana.


O que define suas administrações: saúde, memória administrativa e a transformação da cidade sob o impacto do petróleo.


Nacif Salim Selen

1982 a 1983


Origem: Carapebus.


Sua passagem pelo Executivo foi relativamente curta.


Nacif pertence à forte tradição de políticos ligados a Carapebus que participaram da administração de Macaé antes da emancipação daquele território.


Sylvio Lopes Teixeira

1989 a 1992, 1997 a 2000 e 2001 a 2004


Sylvio Lopes ocupa posição de grande destaque na história administrativa recente por ter governado a cidade em três períodos.


Seus mandatos coincidem com uma das maiores fases de crescimento de Macaé.


No final da década de 1980, o município começou a discutir de maneira mais estruturada seu planejamento urbano.


Nesse ciclo também avançaram políticas de proteção ambiental e a estruturação do ensino superior municipal.


No final dos anos 1990 e início dos anos 2000, Macaé já experimentava intensa expansão demográfica e empresarial impulsionada pelo setor offshore.


A organização municipal do ensino superior avançou e o complexo universitário que posteriormente se consolidaria na cidade começou a tomar forma. A própria Prefeitura registra a reorganização da antiga FUNEMAC e o processo que conduziu à formação do Complexo Universitário.


O Paço Municipal projetado por Oscar Niemeyer também foi finalmente concluído nesse período histórico.


O que define seus governos: planejamento, educação superior, expansão institucional e administração de uma cidade em crescimento acelerado.


Riverton Mussi Ramos

2005 a 2008 e 2009 a 2012


Riverton assumiu uma Macaé já consolidada como grande centro da indústria offshore.

Seus oito anos de governo foram marcados pelo desafio de acompanhar um crescimento populacional e econômico extremamente rápido.


Obras viárias, intervenções de drenagem, urbanização de bairros e expansão de políticas educacionais estiveram entre as frentes daquele período.


Um dos marcos educacionais foi a consolidação da Cidade Universitária, inaugurada em 2007, fruto de um processo institucional que atravessou diferentes administrações e envolveu Município, universidades, sociedade civil e iniciativa privada.


Riverton também participou ativamente das mobilizações em defesa dos royalties destinados aos municípios produtores de petróleo.


O que define seus governos: infraestrutura, expansão urbana, educação superior e defesa das receitas petrolíferas.


Aluízio dos Santos Júnior

2013 a 2020


Profissão: médico.


Aluízio governou Macaé durante um cenário muito diferente daquele encontrado pelos prefeitos do auge do petróleo.


A crise do setor de óleo e gás reduziu investimentos, empregos e receitas municipais, impondo à administração a necessidade de reorganizar despesas e buscar novas atividades econômicas.


Seus governos ficaram associados à tentativa de diversificação econômica, ao fortalecimento de políticas públicas de saúde e à adaptação da estrutura administrativa municipal ao período de retração.

O último ano de sua administração, 2020, foi marcado pela pandemia de Covid-19.


O que define o período: crise econômica, reorganização da administração e transição para uma visão menos dependente exclusivamente do petróleo.


Welberth Porto de Rezende

2021 a 2024 e 2025 a 2028


Welberth Rezende assumiu a Prefeitura em janeiro de 2021 e foi reeleito para o mandato de 2025 a 2028, atualmente em andamento. A posse para o segundo mandato ocorreu em 1º de janeiro de 2025.

Por se tratar de um governo ainda em exercício, sua avaliação histórica não deve ser considerada encerrada.


Segundo o balanço apresentado pela própria administração municipal ao início do segundo mandato, o primeiro ciclo contou com cerca de 300 obras, investimentos em drenagem, infraestrutura, mobilidade e políticas de desenvolvimento econômico. Esses números devem ser tratados como dados oficiais da administração, e não como avaliação independente de legado.


Outro eixo destacado é a transformação da antiga identidade de “Capital Nacional do Petróleo” em uma estratégia mais ampla ligada à energia, incluindo petróleo, gás natural, termelétricas, novos projetos offshore e transição energética. Em 2026, reuniões com empresas do setor continuavam tratando Macaé como polo estratégico para novos projetos de gás e energia.


O que define o período até aqui: infraestrutura, retomada econômica, diversificação e reposicionamento de Macaé como polo nacional de energia.


A história definitiva dessa gestão, entretanto, somente poderá ser escrita depois de seu encerramento.


Uma cidade, muitos governos


Quando colocamos esses nomes em sequência, percebemos que contar a história dos prefeitos não significa apenas contar eleições.


Significa observar a transformação de Macaé.


João Francisco Moreira Netto administrou uma cidade que acabava de criar sua Prefeitura.


Sizenando Fernandes de Souza enfrentou necessidades básicas de pavimentação, saneamento e estradas.


Télio Barreto viveu a Macaé do Estado Novo e da Segunda Guerra.


Eduardo Serrano e seus sucessores atravessaram intensas disputas políticas.


Cláudio Moacyr, Romeu Pereira e os administradores dos anos 1970 assistiram à aproximação da economia petrolífera.


Carlos Emir Mussi, Alcides Ramos e Sylvio Lopes governaram durante fases de enorme transformação urbana.


Riverton Mussi administrou uma cidade que crescia em ritmo acelerado.


Aluízio dos Santos Júnior enfrentou a retração do ciclo econômico que durante décadas sustentara esse crescimento.


Welberth Rezende governa uma Macaé que procura combinar a força histórica do petróleo com gás, energia, conhecimento, serviços e outras atividades.


A Prefeitura mudou. A própria cidade mudou.


Petróleo: a ruptura que divide a história macaense


Poucos acontecimentos influenciaram tanto a administração municipal quanto a descoberta de petróleo na Bacia de Campos.


Na década de 1970, Macaé passou a ocupar uma posição estratégica para a Petrobras, que estabeleceu sua estrutura operacional na cidade. A instalação consolidada a partir de 1978 provocou profundas transformações econômicas e demográficas.


Vieram empresas.


Vieram trabalhadores de diferentes regiões do Brasil e do exterior.


Vieram novos bairros, hotéis, escolas, universidades, restaurantes, serviços e empreendimentos.


Vieram também problemas de mobilidade, habitação, saneamento, ocupação urbana e desigualdade.


A partir daquele momento, governar Macaé passou a significar administrar uma cidade submetida a uma velocidade de transformação muito maior do que a observada durante boa parte de sua história anterior.


Os royalties e a defesa de um direito municipal


Outro capítulo fundamental foi a luta pelos royalties.


Durante os primeiros anos da exploração offshore, os municípios diretamente afetados pela atividade não recebiam compensações da mesma maneira que regiões produtoras em terra.


A mobilização política pela mudança dessa realidade envolveu vereadores, prefeitos e outras lideranças de Macaé e da região.


A chamada campanha dos royalties culminou na legislação de 1985 que ampliou o pagamento das compensações aos municípios relacionados à produção offshore.


A partir dali, os royalties passariam a influenciar profundamente a capacidade de investimento de Macaé.


Também se tornariam uma questão permanente da política local.


A importância dos prefeitos de Carapebus


Um detalhe costuma passar despercebido quando observamos apenas o mapa atual.

Durante grande parte dessa história, Carapebus fazia parte de Macaé.


Isso explica a presença marcante de políticos carapebuenses entre os administradores macaenses, como Sizenando Fernandes de Souza, Elias Agostinho, João Alves Pedro Sobrinho, Aristeu Ferreira da Silva e Nacif Salim Selen.


Só posteriormente Carapebus se tornaria município independente.


Conhecer a origem desses administradores permite compreender que a antiga Macaé possuía uma configuração territorial e política muito diferente da atual.


Os prefeitos que a própria Macaé quase perdeu


Talvez um dos aspectos mais interessantes desta pesquisa não esteja nos grandes nomes, mas nos esquecidos.


Em 2006, quando a Prefeitura decidiu criar uma Galeria dos Prefeitos, pesquisadores passaram meses procurando fotografias e informações sobre antigos administradores.


A equipe municipal revelou que ainda não possuía imagens de vários deles, especialmente aqueles que governaram nas décadas de 1920, 1930 e 1940.


Entre os nomes inicialmente procurados estavam:

Jayme Afonso, Jayme Memória, Floriano Castilho Saddock de Sá, Durval Coutinho Lobo, Raul Garnier da Silva, Juvenal Barreto Júnior, Álvaro Teixeira da Assunção, Jorge Costa, Ronald de Souza e João Alves Pedro Sobrinho.


Algumas famílias apareceram posteriormente.


Outras lacunas permaneceram.


Isso revela algo importante sobre a memória de uma cidade.


Um homem pode governar um município e, poucas décadas depois, sua fotografia já ser difícil de encontrar.


Por que a Academia Macaense de Letras deve preservar essa história?


À primeira vista, uma relação de prefeitos pode parecer assunto exclusivo de um arquivo público ou da Câmara Municipal.


Não é.


A política municipal modifica o espaço onde a cultura acontece.


Uma biblioteca nasce em determinado governo.

Uma praça muda de forma.


Uma escola é inaugurada.


Um teatro desaparece ou é restaurado.


Um bairro surge.


Uma estrada aproxima comunidades.


Uma universidade chega.


Uma política de patrimônio protege ou deixa desaparecer determinado edifício.


Os escritores, músicos, professores, jornalistas e artistas de uma cidade vivem dentro dessas transformações.


Por isso, compreender quem administrou Macaé também ajuda a compreender a Macaé que produziu sua literatura, sua imprensa, seus movimentos culturais e sua memória coletiva.


A Academia Macaense de Letras não precisa transformar prefeitos em personagens literários.

Seu papel pode ser outro.


Registrar.


Pesquisar.


Confrontar documentos.


Recuperar fotografias.


Ouvir famílias.


Preservar depoimentos.


Separar memória de propaganda.


E permitir que as futuras gerações saibam quem ocupou o poder, em que período e diante de qual cidade.


Uma pesquisa que permanece aberta


A Galeria dos Prefeitos criada pelo município em 2006 já nasceu como um trabalho de recuperação histórica.


A própria Prefeitura reconhecia naquele momento a dificuldade de encontrar imagens e informações sobre administradores que haviam governado poucas décadas antes. A pesquisa se baseou, entre outras fontes, na obra Memórias dos Administradores Macaenses, de 1977, e envolveu arquivos públicos e famílias.


A Academia Macaense de Letras pode ampliar esse trabalho.


"Ainda há muito a descobrir sobre diversos prefeitos:

seus locais de nascimento;

suas famílias;

suas profissões;

as circunstâncias que os levaram ao poder;

suas fotografias;

seus projetos;

seus discursos;

suas relações com a imprensa;

suas realizações;

seus conflitos;

e até mesmo o destino de seus arquivos pessoais."


Não preencher essas lacunas com invenções também faz parte do trabalho de preservar a memória.

Quando uma informação não está documentada, a resposta correta não é criar uma certeza.


É continuar procurando.


Os administradores e as muitas Macaés


Ao observar mais de um século de Prefeitura, percebemos que nenhum desses homens governou exatamente a mesma cidade.


"Houve a Macaé das lavouras.

A Macaé ferroviária.

A Macaé dos bondes.

A Macaé do porto.

A Macaé dos antigos cafés e hotéis.

A Macaé anterior à Petrobras.

A Macaé transformada pelo petróleo.

A Macaé dos royalties.

A Macaé da explosão populacional.

A Macaé da crise do setor offshore."


E existe agora uma cidade que procura construir sua próxima identidade econômica.

Cada administração pertence a uma dessas paisagens.


Estudar seus prefeitos é, portanto, observar Macaé mudando através do tempo.

Talvez seja esse o verdadeiro valor desta relação.


Não saber apenas quem governou Macaé.


Mas compreender qual Macaé cada um deles recebeu, qual cidade administrou e qual cidade entregou à geração seguinte.


Academia Macaense de Letras

Memória de Macaé


Preservar o passado não significa escolher apenas aquilo que desejamos celebrar.

Significa impedir que o tempo apague aquilo que precisamos compreender.


Pesquisa e Poesias: Cleber de Moraes.

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