Antônio Olinto Bordalo
Entre Almendra e Macaé, uma vida atravessada pela história da cidade.
Algumas pessoas deixam sua presença registrada em livros. Outras permanecem nos documentos públicos, nas fotografias, nas antigas ruas, nas conversas de uma geração e nos acontecimentos que ajudaram a construir.
Antônio Olinto Bordalo pertence a essa segunda memória.
Português de Almendra, estabeleceu-se em Macaé em 1951. A cidade que encontrou era muito diferente daquela que se formaria décadas depois com a chegada e expansão da indústria do petróleo.
Olinto acompanharia de perto essa transformação.

De Portugal para Macaé
Almendra é uma antiga povoação portuguesa pertencente atualmente ao município de Vila Nova de Foz Côa.
Foi de lá que Antônio Olinto Bordalo partiu antes de construir sua vida em Macaé.
A partir de 1951, seu nome passou a fazer parte da vida cotidiana da cidade.
Ainda permanecem em pesquisa detalhes importantes de sua juventude portuguesa, sua data exata de nascimento, sua ascendência e as circunstâncias que o fizeram escolher Macaé como destino.
Sua própria história familiar ainda guarda capítulos a serem recuperados.
O Bar do Olinto e a antiga vida macaense
Comerciante, Olinto ficou conhecido também por seu estabelecimento na região da Praça Washington Luiz.
O lugar entraria na memória da cidade como o Bar do Olinto.
Mais do que um comércio, estabelecimentos como aquele pertenciam à vida social de uma Macaé em que boa parte das relações cotidianas acontecia no centro, nas praças, calçadas, bares e pequenos negócios.
Há registros memorialísticos da presença de estudantes naquele espaço.
De sua posição privilegiada no coração da cidade, Olinto acompanhou personagens, eleições, debates e acontecimentos políticos de diferentes períodos.
A história de seu bar ajuda a recordar uma Macaé que já não existe da mesma forma.
Da vida cotidiana à Câmara Municipal
Olinto não permaneceu apenas como observador da política.
Foi eleito vereador e chegou à Presidência da Câmara Municipal de Macaé.
Sua trajetória o colocou entre os homens que participaram diretamente da vida institucional da cidade em um período marcado por profundas mudanças políticas e econômicas.
Décadas depois, seu nome ainda seria lembrado entre antigos presidentes da Câmara durante as celebrações dos duzentos anos do Legislativo macaense.
A defesa dos royalties de Macaé
Entre os registros preservados pelo Legislativo existe uma referência particularmente importante.
Ao recordar a mobilização de vereadores e ex-vereadores em defesa dos royalties do petróleo, documentos da Câmara mencionam Olinto entre aqueles que participaram daquela articulação.
Representantes macaenses viajaram e defenderam os interesses do município dentro da campanha que ficou conhecida pela expressão:
“Royalties do Petróleo: um direito, uma necessidade.”
A mobilização faz parte de um dos capítulos econômicos mais importantes da história contemporânea de Macaé.
A participação de Olinto nesse movimento reforça sua condição de personagem ativo, e não apenas testemunha, das transformações vividas pelo município.
Um capítulo ainda pouco conhecido
Em 2007, Antônio Olinto Bordalo recebeu um reconhecimento oficial do Estado brasileiro.
Seu nome consta nos registros da Comissão de Anistia como anistiado político, por meio do Requerimento nº 57089 e da Portaria nº 1.732, publicada naquele ano.
Existe, porém, uma importante lacuna histórica.
O reconhecimento está documentado, mas as circunstâncias específicas que motivaram sua anistia ainda precisam ser recuperadas no processo original.
Por essa razão, a Academia Macaense de Letras mantém esse episódio como parte de uma investigação histórica ainda em desenvolvimento.
Não cabe preencher com suposições aquilo que somente os documentos poderão revelar.
Uma relação de mais de seis décadas com Macaé
A permanência de Olinto na vida pública impressiona pela extensão.
O português que chegou a Macaé em 1951 continuava participando da política municipal mais de sessenta anos depois.
Em 2012, seu nome voltou a aparecer nas urnas como candidato ao Legislativo macaense.
Essa continuidade atravessa diferentes gerações da cidade.
Olinto conheceu uma Macaé anterior ao petróleo, viu a chegada de uma nova economia, acompanhou a transformação urbana e social do município e permaneceu interessado em sua vida pública até idade avançada.
Quando a testemunha se torna memória
Em 2016, ocorreu um dos acontecimentos mais simbólicos de sua trajetória.
Antônio Olinto Bordalo foi um dos antigos vereadores escolhidos para deixar seu depoimento no vídeodocumentário apresentado durante a inauguração do Museu do Legislativo de Macaé.
Durante décadas, ele havia observado a história.
Naquele momento, passou a ser procurado para contá-la.
Seu relato tornou-se parte da própria memória institucional da cidade.
Por que a Academia Macaense de Letras preserva sua história?
A literatura não nasce isolada do lugar onde é produzida.
Ela guarda sotaques, costumes, conflitos, ruas, pessoas, transformações e lembranças.
Por isso, preservar a memória cultural de Macaé também significa conhecer aqueles que participaram da construção de sua sociedade.
Antônio Olinto Bordalo não é apresentado pela Academia Macaense de Letras como escritor quando não há, até o momento, documentação que comprove uma obra literária de sua autoria.
Sua presença neste acervo possui outra razão.
Olinto é uma personagem da memória histórica de Macaé.
Sua vida reúne imigração portuguesa, comércio tradicional, convivência urbana, política municipal, Presidência da Câmara, defesa dos royalties, anistia política e preservação da memória do Legislativo.
Poucas trajetórias atravessam tantos capítulos diferentes de uma mesma cidade.
Uma história que ainda precisa ser completada
A pesquisa sobre Antônio Olinto Bordalo permanece aberta.
Ainda procuramos conhecer:
Quem eram seus pais e seus antepassados em Portugal?
Qual foi sua data de nascimento?
Como ocorreu sua chegada ao Brasil?
Quem formava sua família em Macaé?
Em quais anos exerceu mandato como vereador?
Quando presidiu a Câmara?
Qual foi exatamente sua participação na mobilização pelos royalties?
Quais acontecimentos levaram ao reconhecimento de sua anistia política?
Existem fotografias, cartas, documentos e objetos preservados por seus descendentes?
Qual foi o conteúdo integral de seu depoimento ao Museu do Legislativo?
Cada resposta recuperada permitirá compreender melhor não apenas Olinto, mas também a própria Macaé de seu tempo.
Antônio Olinto Bordalo faleceu em março de 2017, depois de uma vida profundamente ligada à cidade que escolheu para viver.
Sua história ainda possui páginas por descobrir.
E enquanto essas páginas forem procuradas, sua memória continuará ajudando Macaé a compreender a si mesma.
Academia Macaense de Letras
Preservando as letras, a cultura e a memória de Macaé. Pesquisa e Publicação: Cleber de Moraes.






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